Achar que ainda ontem te encontrei na sala azul a tocar piano.
- Não dês demasiada importância. Eu não estava lá. E nunca percebi essa tua maneira de... sei lá, vislumbrar pessoas nos locais mais absurdos a fazerem coisas ainda mais descabidas.
Não é mania. Lembras-te de quando me ofereceste aquele livro de Tolstoi?
- Sim, lembro. Ana Karenina.
Pronto!
- O quê? Não te percebo.
Nem eu, não muito bem. Mas está tudo aí. Não sei como explicar-te e, aliás, nem acabei de o ler.
- Porquê?
Estava a gostar. Talvez por isso.
- Não te acompanho.
É normal.
- Porque dizes isso?
Porque é normal, mas triste. Vi-te na sala azul a tocar piano e pensei, nessa altura, que compreendesses. Por isso não me esqueço e acredito que era real... ou quero assim.
- Mas não era. Eu não estava lá.
Pois não. Agora sei que não.
- E o livro?
Estava a gostar.
- Sim, mas não acabaste de o ler.
Pois não. Está ligado a ti.
- É essa a razão?
Talvez. Também não me apetece acabar de ler-te. Já te disse, estava a gostar.
- Mais uma razão!
Não, não me compreendes. Não vou ler mais.
- E agora?
Ofereces-me outro?
Sexta-feira, Novembro 13, 2009
Puta maneira de estar V
Quarta-feira, Novembro 04, 2009
Concurso Internacional Mulheres Escritoras
A Hoje Edições, empresa casquense, está lançando o volume 4, da série Mulheres em Prosa e Verso (capa acima) com obras de escritoras do Brasil, Portugal, Argentina, Espanha e Estados Unidos.
As obras que fazem parte do livro foram escolhidas através do Concurso Literário Internacional Mulheres Escritoras que este ano contou com mais de 500 obras inscritas.
- Estamos chegando mais longe, atingindo o nosso objetivo de divulgar o trabalho de nossas escritoras em todo o mundo, afirma o editor Jair Pedroso.
A editora também está divulgando o resultado final do concurso. Na categoria Poesia, a grande vencedora foi a escritora portuguesa Cláudia Faria Pereira,de Porto Portugal e na Prosa, a catarinense Fátima Venutti, de Blumenau, SC.
(Se clicarem no título do post terão acesso à notícia completa. A todos os nomeados e participantes os meus parabéns).
Poema vencedor:
sem espaço à frente das palavras
sem espaço à frente das palavras, deitas-te sob os pés do tempo.
há dor nas mãos e nos lábios esquecidos, presos a um passado
recuperado no momento
em que me deito
apartada de cheiros
e pautas escritas.
são novos os dias que habito. manhãs são cegueira
tardes, nevoeiro.
dias em que me deito
com a imaginação colada à minha pele,
decidida a insinuar futuros errados.
Domingo, Setembro 27, 2009
Casa das nossas letras [II]
Hoje acordei embrulhada na espuma das palavras do dia, com medo, enquanto soprava as ondas esmagadas, enquanto pisava o calor do pescoço e me livrava da pele espalhada no chão.
Amanheceste-me, meu Amor, construída de trinta faces. Formaram-se lençóis de carne jogada pela janela, nas pálidas paredes de uma casa cansada, envolta em taças de cristal, despojada de sol e de sombras para coleccionar.
Vieste nesta espuma branca, como uma teia numa dança de instantes. Chegaste. Acordaste-me. E este estado é uma atmosfera de noites excessivas, de reflexos precisos no meu rosto, nos meus olhos agora encaracolados na nitidez das tuas mãos.
O meu vício é, precisamente, a falta de ti.
Empurro-te daqui, na espuma em que chegaste, batendo com raiva nos meus cabelos que amaste até à exaustão.
Vai, meu Amor. Deixa-me repousar...
Sexta-feira, Setembro 25, 2009
Casa das nossas letras [I]
Os esboços da tua companhia revelam-se ausentes nesta linha de prata universal. Ouso pensar em matar, descobrir o porquê da tua ausência. Nada me veste de ti, meu Amor.
Relembro, como o sangue que me corre e o coração que me dança, veloz no peito, os dias em que te vivi serena e louca, presa e ansiosa de abraços espontâneos da tua boca.
Quarta-feira, Setembro 23, 2009
Casa das nossas letras
"O gelo é frio e as rosas são vermelhas. E este amor vai decerto arrastar-me para longe. A corrente é demasiado forte, não tenho escolha possível. Mas já não posso voltar atrás. Só posso deixar-me ir com a maré. Mesmo que comece a arder, mesmo que desapareça para sempre." (MURAKAMI)
As minhas veias carregam o fumo do teu corpo, em desejo de sentir-te ensanguentada. Dormem preguiçosas, petrificadas, na doce cama que a tua pele desarrumou.
Amo-te amanhã, deste lado em que escrevo e nada é romance, nem lugar povoado de ataques estúpidos de orgulho.
Escrevo doente, imaculada por te querer provar, de qualquer maneira, o quanto viva me sinto dentro desta destruição.
Amo-te para sempre, meu Amor, na macia rendição das horas. Para sempre, leve de surpresas, pendurada no nosso amanhecer, a descoberto das outras pessoas.
Pela minha parte... peça de teatro.
Segunda-feira, Agosto 03, 2009
Antologia de Poesia Contemporânea

No dia 25 de Julho, foi lançada a Antologia de Poesia "Entre o Sono e o Sonho", editada pela Chiado Editora, em parceria com o Portal Lisboa. São vários os autores participantes e eu também tive o prazer e privilégio de fazer parte da mesma com dois poemas.
Amigos, quem estiver interessado em obter um livro, por favor contacte-me.
Segunda-feira, Junho 08, 2009
estranho-me enquanto não chegares
desperta-me
deste imbecil adormecer que me nasceu no corpo
antes que as iras revoltas te envolvam no esquecimento.
tenho uma casa inundada de amores agitados
corpos apressados memórias consumidas.
vem
com teu ágil sabor de água marítima no ventre
e abraços prolongados de dança soalheira.
possuo paixões agastadas pelo tempo distante
e estranho-me enquanto não chegares.


